Metodismo BASES BÍBLICAS DO CREDO SOCIAL DA IGREJA METODISTA
biblia

1. CREMOS EM DEUS , Criador de todas as coisas e Pai de toda a família humana, fonte de todo o amor, justiça e paz, autoridade soberana sempre presente.

2. CREMOS EM JESUS CRISTO , Deus filho que se fez homem como cada um de nós, amigo e redentor dos pecadores, Senhor e Servo de todos os homens, em quem todas as coisas foram criadas.

3. CREMOS NO ESPÍRITO SANTO , Deus defensor, que conduz o homem livremente à verdade, convencendo o mundo do pecado, da justiça e do juízo.

4. CREMOS QUE O DEUS ÚNICO ESTAVA EM CRISTO reconciliando consigo o mundo, criando uma nova ordem de relações na História, perdoando os pecados dos homens e encarregando-nos do ministério da reconciliação.

5. CREMOS NO REINO DE DEUS E SUA JUSTIÇA que envolve toda a criação, chamando todos os homens a se receberem como irmãos, participando em Cristo da Nova Vida de plenitude.

6. CREMOS QUE O EVANGELHO , tomando a forma humana em Jesus de Nazaré, é o poder de Deus que liberta completamente o homem, proclamando que não existe nenhum valor acima da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus.

7. CREMOS QUE A COMUNIDADE CRISTÃ UNIVERSAL é serva do Senhor; sua missão nasce sempre dentro da missão do seu único Senhor que é Jesus Cristo. A unidade cristã é a dádiva de sacrifício do Cordeiro de Deus; viver divididos é negar o Evangelho.

8. CREMOS QUE SÃO BEM-AVENTURADOS os humildes de espírito, os que sofrem, os mansos, os que têm fome de justiça, os que praticam a misericórdia, os simples de coração, os que trabalham pela paz, os que são perseguidos pela causa da justiça e do nome do Senhor.

9. CREMOS QUE A LEI E OS PROFETAS se cumprem em amar a Deus com todas as forças da nossa vida e amar ao nosso próximo como a nós mesmos. Pois, ninguém pode amar a Deus e menosprezar a seu irmão.

10. CREMOS QUE AO SENHOR PERTENCE A TERRA a terra e a sua plenitude, o mundo e todos os que nele habitam; por isso proclamamos que o pleno desenvolvimento humano, a verdadeira segurança e ordem sociais só se alcançam na medida em que todos os recursos técnicos e econômicos e os valores institucionais estão a serviço da dignidade humana na efetiva justiça social.

11. CREMOS QUE O CULTO VERDADEIRO que Deus aceita dos homens é aquele que inclui a manifestação de uma vivência de amor, na prática da justiça e no caminho da humanidade junto com o Senhor.

O posicionamento e proposta de ação da igreja Metodista, à luz de sua herança histórica e das bases bíblicas, acima expostas, estão exaradas em seu Credo Social da Igreja Metodista, aprovado pelo X Concílio Geral da Igreja Metodista, em sua sessão plenária do dia 5 de fevereiro de 1971, na cidade do Rio de Janeiro, GB e pode ser adquirido da imprensa Metodista, Cx. Postal 30.626, 01000 – São Paulo/SP. Trata especificamente da: Ordem Político-Social e Econômica; da Responsabilidade Civil; e dos Problemas Sociais.

História da Igreja Metodista no Boqueirão – Manancial
PM

O Ponto Missionário do Boqueirão começou através de um desafio feito pelo Rv. Elias Passeri junto ao Ministério de Missões. Naquela oportunidade, não havia nenhum trabalho na região. Contando com duas famílias do local e com a colaboração de alguns irmãos da Igreja Metodista Central, iniciamos este trabalho no mês de março de 1999, em um imóvel alugado na rua Prof. Ary Nogueira dos Santos, nº 362, no bairro Boqueirão.”foto acima”

Participaram deste culto inaugural vários irmãos da Igreja Metodista Central sendo o louvor conduzido pelo Ponto Missionário do Jardim Gabineto e pelo nosso irmão (hoje seminarista) Carlos Alberto Passeri. Os cultos passaram a ser realizados aos domingos, com escola dominical pela manhã e culto às 19:30h. Às quintas-feiras, culto de ensino.

Foram desafios, lutas e vitórias ao longo destes anos, que estamos compartilhando no espaço dos testemunhos, porém louvamos a Deus, pois podemos dizer: Até aqui o Senhor tem nos ajudado!

Hoje a nossa Igreja já não é mais tão pequena, pois já se tornou um Campo Missionário. Deus tem se manifestado de uma maneira indescritível. Por isso, louvamos ao Senhor pela vida dos nossos irmãos que hoje compartilham das bênçãos que são derramadas na nossa Igreja. Agora estamos em um novo local, na Rua Paulo Setúbal, Esquina com Antônio de Paula 4365, também no bairro Boqueirão, mais amplo e espaçoso, pois o nosso ponto missionário antigo já estava apertado para o grande número de irmãos que têm participado dos cultos.

Cremos que Deus tem um plano especial para o bairro Boqueirão e está levantando ministérios para a sua obra. As lutas são grandes, mas a vitória é tremenda!

Confira as fotos no menu ao lado. Elas retratam alguns dos momentos e atividades da Igreja no Boqueirão Manancial.

UM SÍMBOLO CONHECIDO AO REDOR DO MUNDO

A Igreja Metodista não é somente conhecida por sua teologia essencialmente bíblica, por seu compromisso missionário, educacional ou social, mas também por sua marca: identificamos a Igreja pela cruz e a chama. Este símbolo da Igreja pode ser utilizado livremente para identificar toda e qualquer igreja local, instituição, publicação, material ou presença da Igreja Metodista.

A história deste símbolo é bastante significativa para o povo chamado metodista. Sua criação começou nos Estados Unidos, em 1968, quando duas Igrejas (a Metodista e a Evangélica dos Irmãos Unidos) se fundiram, formando a Igreja Metodista Unida.

Nesse ano, um Concílio da nova Igreja (a Metodista Unida) nomeou uma equipe liderada por Edward J. Mikula para criar uma marca “oficial” para a nova denominação que surgiu a partir da fusão. Na equipe de Mikula, trabalhava Edwin H. Maynard, que pesquisou os aspectos simbólicos da marca “oficial”. Tanto Mikula quanto Maynard decidiram que qualquer símbolo que fosse criado deveria carregar alguma expressão de calor como aquela que John Wesley sentiu em seu coração, na Rua Aldersgate, na Inglaterra, quando da sua experiência religiosa, em 24 de maio de 1738. Por isso é que a equipe liderada por Mikula assumiu o emblema que contém a cruz vazia, lembrando o Cristo ressurreto, e a chama, lembrando aquele calor estranho no coração de Wesley, naquela noite de primavera, na Inglaterra do século 18.

Além disso, o simbolismo do emblema nos relaciona com Deus, o Pai, através da segunda e terceira pessoas da Trindade: o Cristo (cruz) e o Espírito Santo (chama).

Cuidados com o marca

Para evitar o uso indiscriminado ou alterado da marca Metodista, visando manter a integridade do mesmo, estabeleceu critérios para sua utilização.

Toda e qualquer reprodução do emblema deve ser fiel ao desenho original. Para isso, a Igreja Metodista, também aqui no Brasil, normatiza o uso do nosso significativo emblema, com os seguintes destaques:

•  A base da chama deve ser mais baixa que a da cruz;
•  O topo da chama deve ser mais alto que o da cruz;
•  As pontas superiores e a base da chama devem estar na vertical, como no desenho apresentado;
•  As extremidades do mastro e dos braços da cruz devem ser chanfradas à esquerda, num ângulo de 45º;
•  As cores oficiais são o preto (chapado) para a cruz e o vermelho (Pantone 185 CVC) para a chama.

Observando estes critérios, é permitido fazer o uso oficial do emblema para identificar igrejas locais, atividades, programas, publicações, materiais e documentos da Igreja Metodista. Qualquer uso comercial, bem como alteração de cor ou estilização da marca, somente poderá ser feito mediante autorização explícita, por escrito, pela Sede Nacional da Igreja Metodista.

A REFORMA WESLEYANA
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Em 1744, John Wesley e nove dos seus colaboradores, todos anglicanos, se reuniram para descobrir o propósito de Deus em levantar o metodismo. Depois de muita oração, concluíram que Deus os chamava para “reformar o país e, em particular, a Igreja [da Inglaterra] e espalhar a santidade bíblica por toda a terra”. A obra teria embasamento numa atualização e ampliação das grandes doutrinas da Reforma de Lutero, buscando aplicar as boas novas à situação social da época.

Segundo o historiador H. O. Wakeman, a Igreja da Inglaterra começou a perder o seu vigor no tempo dos reis William. Em seu livro “Introduction to the History of the Church on England” (Introdução à História da Igreja na Inglaterra), o autor diz que “quando os sinos dobraram em 1714 para saudar a entronização de William I, eles anunciaram a morte dos seus [da igreja] altos ideais e vida vigorosa por mais de meio século”. Outrora vigorosas, as denominações oriundas do puritanismo (congregacionais, presbiterianas e batistas) foram enfraquecidas pela imposição de uma única forma de culto (segundo o Livro de Oração Comum). Esse enfraquecimento se intensificou com o crescimento do socinianismo (unitarismo) no meio das igrejas. Em resumo, o cristianismo inglês no século XVIII estava em profunda decadência, carecendo de uma nova reforma. Foi nesse cenário que John Wesley reafirmou os grandes princípios da Reforma Protestante do século XVI no seu ensino, pregação e vivência, trazendo verdadeira renovação ao cristianismo britânico.

  • A justificação pela fé

Conhecida como a experiência do “coração aquecido”, a experiência religiosa de Wesley, acontecida em Londres, na noite de 24 de maio de 1738, pode dar a idéia de apenas um momento de forte emoção. Felizmente, ele deixou para a posteridade uma sucinta autobiografia espiritual, na qual a descrição de sua experiência, longe de limitar-se ao que ele sentiu, é uma análise racional, de surpreendente densidade teológica.

No parágrafo 14 da autobiografia, Wesley esclarece os pontos básicos da sua fé evangélica. Ele defende que fé, mais do que crença, é confiança em Cristo e que o pecador arrependido que recebe o dom da fé é perdoado de seus pecados. Afirma que a pessoa, tendo recebido o dom da fé e o perdão dos pecados (justificação), muitas vezes recebe a certeza deste perdão em seu próprio coração.

Ainda no gozo daquela paz com Deus que acompanha a certeza do perdão e a adoção como filho, John Wesley começa a compartilhar sua nova fé entre amigos, nas sociedades religiosas e, quando possível, nas igrejas. Inesperadamente convidado por Jorge Whitefield, Wesley começa a proclamar a boa nova a multidões ao ar livre. Um de seus textos favoritos para essas pregações era: “Arrependei-vos e crede no Evangelho”. Aqueles que recebiam e testemunhavam sua fé pessoal em Jesus eram encorajados ao crescimento na graça e à perfeição no amor. Wesley cria que o mandamento: “Sede vós perfeitos” (Mateus 5.48) e o urgente convite: “prossigamos até a perfeição” (Hebreus 6.1) tinham de ser levados a sério. Para ele, a perfeição cristã era a perfeição em amor, e o amor é sempre atuante. Por isso, não havia conflito nem distanciamento entre a evangelização e a ação social, como freqüentemente acontece hoje. Wesley se preocupava com a situação dos pobres. Ele estabeleceu um modesto fundo de empréstimos para pessoas que desejassem começar uma empresa familiar ou pagar uma dívida urgente. Para os doentes, fundou um ambulatório e compilou um livro de remédios caseiros. Procurou também atacar as causas da pobreza. Como exemplo, cita-se seu apoio à obra de alfabetização de Roberto Raikes. Além disso, direta ou indiretamente (principalmente por meio da ala evangélica da Igreja da Inglaterra), a Reforma Metodista participaria da reforma penitenciária, bem como do movimento de abolição do tráfico de escravos. Poucos dias antes de sua morte (24 de fevereiro de 1791), Wesley escreveu a William Wilberforce, encorajando-o a não abandonar a luta contra a escravidão. Assim, a obra evangelística de Wesley se completou com sua obra social de largo e duradouro impacto.

  • O Papel da Bíblia

Em sua carreira reformista, John Wesley percebeu bem cedo a importância não só da evangelização, como também da edificação das pessoas evangelizadas. Ele insistia que os crentes se reunissem para cultuar a Deus diariamente, às cinco horas. Nessas reuniões, ele fazia breves exposições bíblicas, freqüentemente abordando um versículo por dia.

No prefácio do primeiro volume dos seus Sermões, Wesley declarou ao mundo seu ideal de ser homo unius libri (homem de um [só] livro). Percebe-se que a mente de Wesley estava tão saturada com a Bíblia que ele usava não apenas a doutrina, mas também a linguagem bíblica. Outra evidência de que ele buscava ser homo unius libri é seu livro Notas Explicativas sobre o Novo Testamento (1753-1754), em cujo prefácio ele declara: “Durante muitos anos, venho desejando pôr no papel em forma conveniente tudo que me tem vindo à mente pela minha leitura, pensamento ou conversação que poderia ajudar pessoas sérias, que não tiveram a oportunidade de educação formal, na sua compreensão do Novo Testamento”. Depois de mencionar, modestamente, falta de “erudição, experiência e sabedoria” como razões da sua demora em preparar tal obra, ele explica que teria de fazê-lo logo, pois uma doença séria parecia indicar a proximidade da morte. Sem forças para viajar ou pregar, mas ainda capaz de “ler, escrever e pensar”, ele se dedicou à tarefa de produzir, com a ajuda do seu irmão Charles, as Notas.

  • O Sacerdócio Universal dos Crentes

Um dos aspectos mais importantes da obra de Wesley foi a reapropriação da doutrina do sacerdócio universal dos crentes. Além disso, ele fez uma aplicação mais larga do que aquela feita por Lutero. Como exemplos disso, citam-se a pregação de leigos e o trabalho da mulher. Durante os primeiros anos do movimento, os principais pregadores foram os irmãos John e Charles Wesley. Thomas Maxfield havia se convertido por meio da pregação de Wesley em Bristol e se ofereceu para ajudá-lo da maneira que este designasse. Certa ocasião, estando ele ausente de Londres, Maxfield começou a pregar na Fundição, algo quase inédito naquele tempo. Ao saber da irregularidade, Wesley voltou a Londres às pressas para proibir tal aberração. Todavia, ouvindo a pregação do jovem, exclamou: “É do Senhor! Seja feita a vontade dele!” Depois disso, já aberto à idéia da pregação leiga, ele estabeleceu uma série de critérios a que qualquer leigo tinha de atender para ser autorizado a pregar. A pessoa precisava ter (1) graça — experiência da justificação pela fé, por meio da graça de Deus; (2) dom — capacidade de transmitir a outros o plano divino da salvação; e (3) frutos — pessoas arrependidas, testemunhando ter passado da morte espiritual para a vida por meio da sua pregação. Se o jovem atendesse a estas condições básicas, ele era arrolado como pregador em experiência e começava o seu preparo intelectual, principalmente pela leitura. Wesley preparou para os pregadores leigos cinqüenta tomos massudos de matéria teológica, desde os pais apostólicos até teólogos do Século XVIII.

A vocação e prontidão dos pregadores leigos em servir como “filhos no Evangelho” eram condições consideradas sine qua non por Wesley. Mas eles não precisavam passar longos anos na universidade. Logo depois de serem licenciados para pregar, eles entravam em atividade. Eram homens do povo, o que facilitava a sua comunicação com as massas inglesas. Portanto, é fácil perceber como a pregação leiga foi um fator importantíssimo no alastramento do metodismo.

Alguns ramos do movimento, como os Metodistas Cristãos da Bíblia e o Exército da Salvação, deram um lugar de destaque para a mulher pregadora. Concluo com palavras do próprio Wesley: “O que pretendo é declarar abertamente a toda a humanidade o que é que os chamados metodistas já fizeram e fazem agora — ou, melhor, o que Deus já fez e continua fazendo em nossa terra. Porque não é o trabalho do homem que apareceu recentemente. Todos que observem calmamente devem dizer: ‘Foi o Senhor que fez isto e é coisa maravilhosa aos nossos olhos’ [Salmo 118.23].”

Fonte: Duncan A. Reily

  • METODISMO E O GRANDE AVIVAMENTO

O Reavivamento no século 20 é normalmente associada com o Cristianismo protestante, em especialmente com o pentencostalismo. Billy Graham ficou internacionalmente conhecido com os seus sermões avivalistas em todas as partes do mundo como Billy Sunday e Dwight L. Porém, o reavivamento foi um movimento que ocorre periodicamente no Cristianismo durante muitos séculos. Quando o Papa Urbano II lançou a Primeira Cruzada em 1095, ele estava começando um avivamento de fato na Igreja das Idades Medianas. Muitos movimentos que se rebelaram contra a Igreja Medieval eram tentativas de um reavivamento. Esta era a verdade de John Huss no Século XV e de Martinho Lutero no Século XVI.

Mas as denominações que emergiram depois da reforma viam no sentido de um reavivamento da Igreja, devolvendo as condições descrita no Novo Testamento. O pietismo emergiu no Século XVII, na Alemanha, debaixo da inspiração de Johann Arndt, Philipp Jacob Spener e Hermann Francke, para combater dogmatismo religiosos entre os luteranos. Acentuou a responsabilidade pessoal em vez de confiança em doutrina correta. Também urgiu a necessidade por educação e trabalho de missionários. Hans Nielsen Hauge na Noruega, Karl Olaf Rosenius na Suécia, e Soren Kierkegaar na Dinamarca tentou guiar os luteranos nas mesmas direções.

Na América do Norte havia dois movimentos de reavivamento difundidos. O primeiro era o Grande Despertar, seguido aproximadamente 50 anos depois por um Segundo Despertar. O Grande Despertar começou nos anos de 1720 e durou aproximadamente 20 anos. Suas figuras principais de divulgação eram Jonathan Edwards e George Whitefield. Era parte de um fenômeno religioso que começou na Europa e esparramou às colônias britânicas. O reavivamento aconteceu principalmente entre os reformados, batistas, presbiterianos e congregacionais. A ênfase principal era o medo e os terrores do pecado eterno para o todo sempre. Um dos sermões mais famosos do tempo era “Pecadores nas mãos de um Deus Irado” pregado por Edwards. Whitefield, um clérigo inglês, visitou as colônias americanas por muito tempo e pregou a multidões ao ar livre porque não havia nenhum edifício grande o bastante para assegurar as audiências dele.

O Grande Despertar teve vários resultados. Causou divisões permanentes em algumas denominações, como alguns irmãos apoiavam o reavivamento enquanto que outros condenaram suas fortes tendências emocionalistas. Debilitou o sistema de paróquias porque muitas pessoas deram a sua lealdade a pregadores errantes em vez de apoiar as congregações de suas origens. Inspirou trabalho de missões entre os índios e estimulou o fundamento de escolas. Princeton, Dartmouth, Doura, Rutgers, e outras faculdades eram um resultado direto do revivificação. Outro impacto principal era democratização e o degradando de estruturas de autoridade que alimentaram a rebelião que cresceu na Revolução americana.

O Segundo Grande Despertar começou na Inglaterra Nova nos anos de 1790 e depressa se esparramou ao resto dos Estados Unidos. Durou até os anos de 1830. Geralmente menos emocional que o primeiro reavivamento, isto não obstante missionário renovado inspirado e esforços educacionais. Um grande número de faculdades protestantes foi fundado durante estas décadas. Durante o reavivamento, a instituição de fronteira, chamada o acampamento se encontrando originada como cavaleiros de circuito tentou cobrir todas as determinações novas povoadas em o que é agora o Meio Oeste. Um dos cavaleiros de circuito mais enérgicos era o bispo metodista Francis Asbury.

O predicante dianteiro do tempo era Charles Grandison Finney. Ele foi chamado o inventor de reavivamento profissional porque depois que o reavivamento de tempo dele tendesse a se tornar um negócio de tempo integral por alguns clérigos. Finney levou o estilo de fronteira de reavivamento para as cidades da costa Oriental e para a Inglaterra. Ele se tornou o presidente de Faculdade de Oberlin, depois em Ohio. O Segundo Grande Despertar produziu um aumento grande em sociedade de igreja e conduziu a demandas para tais reformas sociais como temperança, a abolição de escravidão, e os direitos de mulheres.

Assim aconteceu na Inglaterra do século XVIII onde a violência, a bebedeira a crise política se estabelecia de forma total e irrestrita, por mais de 50 anos. A maioria do clero era constituída de homens de pouco fervor. Muitos deles eram mundanos e egoístas, simples ocupantes do ofício. Os deveres dos bispos e dos ministros das paróquias foram em grande parte negligenciados. A pregação consistia principalmente em discussões teológicas, destituídas de valor e sem vida. Por vários anos não qualquer movimento religioso. Nem paróquias organizadas, nem trabalho missionário de qualquer espécie. Os não-conformistas, porém, eram mais vigorosos na sua vida religiosa do que a Igreja da Inglaterra. O espírito geral da religião na Inglaterra era apenas de formalismo e frieza. As formas exteriores da religião eram comumente observadas, mas era raríssimo o entusiasmo religioso oriundo de uma fé sincera.

Tudo isto acarretava uma série de distorções sociais, pois quando a Igreja de Cristo não age na terra realizando o seu verdadeiro papel de luz, sal e testemunha do Senhor, a promiscuidade impera, os vícios pululam as cidades e o povo sofre as conseqüências derivadas do mal funcionamento da nossa vida cristã. Assim a Inglaterra passou por tal crise até o momento em que surgiu Jonh Wesley – um homem de Deus que fora levantado para sacudir a vida religiosa da Inglaterra e trazer ao mundo o impulso religioso mais forte que ocorreu depois do tempo da Reforma.

Logo no início do Século XVIII em Oxford, Inglaterra, lá se reuniu ao redor de Jonh e Charles Wesley, um grupo de homens jovens que vieram ser conhecidos como o Clube Santo. As suas rígidas vidas e modos metódicos conduziram-os a chamarem estes estudantes de Metodistas. Assim, o movimento que Wesley fundou adquiriu o seu nome. Em 1735, com o seu irmão Charles, foi para a América como missionário para o Estado da Geórgia. Durante a viagem tempestuosa ele ficara profundamente impressionado pela fé tranqüila de alguns passageiros da mesma categoria, um grupo de Moravianos da Áustria. Ele estudou suas doutrinas e, enquanto assistia a um moraviano, que encontrara em Londres, ele desenvolveu uma fé no poder salvador de Cristo. Ele começou a orar e divulgar a sua nova fé, mas não encontrou apoio nas Igrejas, que se fecharam para ele. Neste ínterim uniu-se a George Whitefield célebre pregador que proclamava as verdades de Cristo ao ar livre.

A energia que tinha Wesley fora algo notável. Ele viajou aproximadamente 5000 milhas (8000 km) em um ano e pregou aproximadamente 15 sermões por semana. Apesar da oposição e perseguição, as reuniões foram assistidas por milhares de pessoas, e o que faziam se espalhou rapidamente. Wesley organizou seus convertidos em faixas de oração e sociedades de Igrejas, líderes designados para agir como pastores seculares, e finalmente ordenou ou pregadores comissionados. Estas ações importaram a uma fratura com a Igreja da Inglaterra, entretanto não foi reconhecido como tal pelo próprio Wesley.

  • Os Resultados do Reavivamento

Um dos grandes resultados do reavivamento foi a formação de uma nova igreja, a Metodista. Wesley não desejava este resultado. Tinha muito amor à Igreja Anglicana e desejava que todos os convertidos por intermédio do seu trabalho e dos seus cooperadores fossem recebidos por ela. A organização da nova igreja foi coisa que foi forçado a aceitar e a reconhecer. Por muitos anos, o clero anglicano o antipatizou e hostilizou, até que os “evangélicos” se tornaram bastante fortes em número e influência. Até mesmo os não-conformistas, isto é, das igrejas livres, não apoiavam nem auxiliavam o seu trabalho. Gradualmente ele transformou suas sociedades, com os respectivos pregadores, em igrejas e, em 1784, a Igreja Wesleyana ou Metodista foi definitivamente organizada. Sete anos depois, quando faleceu Wesley, a Igreja já contava com setenta e sete mil membros.

Outro resultado ainda maior do reavivamento foi o erguimento espiritual da Inglaterra, o qual afetou o país tanto em extensão como em profundidade. Milhares de pessoas que dantes vivam num paganismo prático, por assim dizer, em virtude da negligência da igreja inglesa, foram arrolados como Membros das “sociedades” e eram pessoas inteiramente despertadas para a verdadeira vida cristã, e foi assim que uma poderosa influência espiritual dominou esta parte da sociedade inglesa.

  • O Século 18 na Escócia

A Igreja Nacional que se tornara presbiteriana em 1689, era igreja oficial da Escócia, mais do que em nome, pois ele realmente representava as legítimas opiniões e sentimentos religiosos do povo. A grande maioria era presbiteriana e quase todos, exceto uns poucos, estavam na igreja nacional. A união dos Parlamentos da Inglaterra e Escócia, em 1707, deixou este último país sem outro parlamento ou qualquer instituição política que lhe fosse própria. A Igreja nacional tomou-se então a grande organização do povo escocês. A vida religiosa da Escócia durante o século 18 foi assinalada por indiferença generalizada e por uma inatividade seme1hante à que existiu na Inglaterra antes do grande reavivamento.

Não havia interesse nem entusiasmo no ministério. Quando Wesley e Whitefield entraram no país, sofreram a mesma oposição que experimentaram na Inglaterra. O reavivamento geral na Inglaterra não teve a mesma correspondência na Escócia, que esperou até ao Século XIX para experimentar o movimento renovador e vivificador. O entusiasmo pelo trabalho missionário afetou também a Escócia, e duas sociedades foram organizadas em 1796. Mas no mesmo ano, a Assembléia Geral da Igreja Escocesa aprovou o indigno ponto de vista de que “espalhar o conhecimento do Evangelho entre os bárbaros das nações pagãs é absurdo inominável”. Essa igreja não cuidou das missões até ao ano de 1824.

Há, porém, um fato a registrar: houve grupos que se opunham a tal espírito, grupos que revelavam mais zelo, mais amor à causa. Não diferiam da igreja quanto ao governo presbiteriano, mas eram crentes cheios de entusiasmo, pregadores do Evangelho, parecidos com os seguidores de Wesley e Whitefield. Por isso não eram simpatizados pela Igreja Nacional. Fizeram forte oposição ao antigo sistema pelo qual o ministro de uma paróquia não podia ser escolhido pelo povo, mas pelo maior proprietário da paróquia – o “patrono”. Tal era o método adotado na escolha de um ministro na igreja escocesa. O maior senhor feudal ou landlord é que decidia da escolha do ministro. Por essa razão dois grupos consideráveis se separaram da Igreja Escocesa e formaram igrejas presbiterianas independentes.

Que nós, que hoje temos esta tão difícil tarefa de levar a mensagem salvadora do Senhor Jesus ao mundo, possamos nos dedicar com devoção, amor, e principalmente paixão pelas almas para transformar o nosso século como estes homens de Deus fizeram. O segredo de uma vida deste porte é estar na presença do Todo-Poderoso e vivê-lo como se nada mais importasse para nós. Paulo nos fala que em nada tinha a sua vida por preciosa e creio veementemente que quando abrimos o nosso coração para que o Senhor Jesus nos use de forma total e irrestrita chegamos a uma postura de vida totalmente diferente de tudo aquilo que pensamos.

FISCHER, Harold A. Avivametos que Avivam. Tradução Messias Freire, Emp. Gráfica Ouvidor S.A. Rio de Janeiro,1961.

NICHOLS, Robert H. História da Igreja Cristã. 10ed., Casa Editora Presbiteriana, São Paulo, 1997.

O METODISMO NO BRASIL
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Junius Estaham Newman, pastor metodista e Superintendente Distrital, foi o pioneiro da obra metodista permanente no Brasil. “J. E. Newman, recomendado para a Junta de Missões para trabalhar na América Central ou Brasil” : essa foi a nomeação que ele recebeu em 1866, na Conferência Anual. Após ter servido durante a Guerra Civil Americana, como capelão às tropas do Sul, observou que muitos metodistas do Sul emigraram para as Américas do Sul e Central e acompanhou-os.

A Guerra deixou endividada a Junta, sem possibilidade de enviar obreiros para qualquer local. Newman financiou sua própria vinda ao Brasil, com suas modestas economias. Chegou ao Rio de Janeiro em agosto de 1867, mas fixou residência em Saltinho, cidade próxima a Santa Bárbara do Oeste, província de São Paulo. Desde 1869, pregou aos colonos, mas, dois anos mais tarde, no terceiro domingo de agosto, organizou o “Circuito de Santa Bárbara”.

O primeiro salão de culto – antes era uma venda – foi uma pequena casa, coberta de sapé e de chão batido. Newman trabalhava com os colonos norte-americanos e pregava em inglês. Um dos motivos da demora de Newman em organizar uma paróquia metodista, é que ele pregava, principalmente para metodistas, batistas, presbiterianos e a todos que desejassem ouvir sua mensagem, pensando ser mais sábio unir os “ouvintes” em uma única igreja, sem placa denominacional. Mas depois, todas as denominações organizaram-se em igrejas, de acordo com sua origem eclesiástica nos EUA. Newman insistiu, através de suas cartas, para que os metodistas norte-americanos abrissem uma missão em nosso país. Em 1876, a Junta de Missões da Igreja Metodista Episcopal Sul, despertada através da publicação das cartas nos jornais metodistas nos EUA, enviou seu primeiro obreiro oficial: John James Ranson. Dedicou-se ao aprendizado do português para proclamar a boa-nova aos brasileiros.

J. E. Newman e sua família mudaram-se para Piracicaba, SP, onde permaneceram entre 1879 e 1880, quando as filhas de Newman, Annie e Mary, organizaram um internato e externato. O “Colégio Newman” é considerado precursor do Colégio Piracicabano, hoje Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba).

Os dez primeiros anos de trabalho com os brasileiros

O período entre 1876 e 1886 é geralmente denominado de “Missão Ransom”, visto que ele organizou toda a estrutura. Ele não teve pressa para estabelecer o campo de trabalho: descartou Piracicaba, fez um reconhecimento do Rio Grande do Sul, mas escolheu o Rio de Janeiro como centro estratégico para propagar o metodismo. J. J. Ransom iniciou sua pregação mais tarde, a fim de dominar o português. Em janeiro de 1878, iniciou sua pregação em inglês e português, no Rio de Janeiro. Os primeiros brasileiros foram recebidos à comunhão da Igreja em março de 1879, sem serem rebatizados. No mês de julho seguinte, quatro pessoas da família Pacheco foram recebidas.

Ransom casou-se com Annie Newman, no Natal de 1879, que veio a falecer em meados do ano seguinte. Ele regressou aos Estados Unidos em busca de mais pessoas dispostas a contribuir na tarefa missionária no Brasil. Voltou, dois anos depois, com James L. Kennedy, Marta Watts e o casal Koger. Todos contribuíram na expansão geográfica da missão e também para a educação.

A educadora Marta Watts veio como missionária com a tarefa de educar crianças e moças brasileiras. O Colégio Piracicabano, primeiro educandário metodista no Brasil, foi fundado em 13 de setembro de 1881, com a matrícula de apenas uma aluna, Maria Escobar. Fatores como a capacidade e dedicação da diretora e o novo método do Colégio chamaram novas alunas, a partir do ano seguinte. O educandário foi a semente para a Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), criada em 1975. Frances S. Koger, ou simplesmente Fannie, fundou uma escola para crianças pobres em Piracicaba, demonstrando assim, o interesse pela educação de crianças pobres, um fato que não é tão conhecido. Além dos missionários fundadores das principais igrejas: Ransom, Rio de Janeiro, 1879; Koger, Piracicaba, 1881 e São Paulo, 1884; e Kennedy, Juiz de Fora, 1884 – destacam-se, por exemplo, três obreiros leigos que precederam Kennedy na preparação do trabalho em Juiz de Fora e outros primeiros obreiros leigos.

Bernardo de Miranda, Ludgero de Miranda, Felipe Relave de Carvalho e Justiniano de Carvalho receberam nomeação episcopal em 1886. Na Conferência Anual de 1887, com exceção de Ludgero, todos foram admitidos à Conferência, em caráter de experiência. Mas na Conferência Anual de 1890, o bispo J. C. Granbery admitiu os quatro obreiros, ordenando-os diáconos. Algum tempo depois, leigas foram chamadas de “Mulheres da Bíblia”, ocupando-se com visitações e leitura da Bíblia com outras mulheres. Em 1° de janeiro de 1886, foi publicada a primeira edição do Metodista Católico, atual Expositor Cristão.

Conferência Anual

Em setembro de 1886, foi realizada a Conferência Anual (que hoje equivale a um Concílio), na capela da Igreja Metodista no Catete, em 16 de setembro de 1886, abrangendo duas coisas diferentes: área geográfica e assembléia metodista anual. O território metodista no Brasil possuía quatro centros principais:

• Catete (Rio de Janeiro) – com duas congregações: estrangeira (com pregação em inglês) e brasileira, totalizando 63 membros. Um novo templo foi inaugurado em 5 de setembro de 1886, às vésperas da Conferência Anual.

• São Paulo – tinha apenas 13 membros arrolados, mas sem propriedades.

• Juiz de Fora Piracicaba – possuíam templos modestos, com 31 e 70 membros, respectivamente. Nos quatro centros principais e em outros menores contavam-se 214 membros arrolados e seis pregadores locais.

A Conferência Anual formulava a estratégia da região; os itinerantes (pregadores), que eram avaliados com relação ao seu trabalho e seu caráter e recebiam nomeação do Bispo. Um motivo primordial tornava essencial a organização de uma Conferência Anual: reconhecer, com urgência, o metodismo brasileiro como pessoa jurídica, uma ênfase da 2ª Conferência Anual Missionária, em julho de 1886. O governo imperial não reconheceu a Junta de Missões como pessoa jurídica. Somente na República que a Conferência Anual foi reconhecida como pessoa jurídica, para o desapontamento da liderança da Igreja daquela época.

A necessidade de organizar uma Conferência foi reconhecida pela Conferência Geral da Igreja Metodista Episcopal Sul, que deu autorização para o primeiro Bispo visitar a Missão, para constituir a Conferência. Em virtude dos poucos membros com que a Conferência contaria, o bispo Granbery quase desistiu de realizá-la. Os obreiros nacionais ainda não eram itinerantes; Newman foi rebaixado para pregador local na Conferência dos EUA; Koger havia morrido, em janeiro de 1886 e Ransom foi “devolvido” em agosto daquele ano.

Apenas o chamado “Trio de Ouro” participou do evento: Kennedy (evangelista, construtor de igrejas e o historiador do metodismo brasileiro, com o livro “Cincoenta Annos de Methodismo no Brasil”); Tarboux (pregador e pastor das principais Igrejas Metodistas e primeiro bispo da Igreja Metodista do Brasil, eleito em 1930) e Tucker (agente da Sociedade Bíblica Americana e fundador do Instituto Central do Povo). O Bispo convocou os três membros para a organização da Conferência Anual, muito simples e breve, mas um dos momentos decisivos do metodismo brasileiro.

fonte: Momentos Decisivos do Metodismo, Prof. Duncan Alexander Reily – Imprensa Metodista

O crescimento da Igreja no Brasil

• No Sul e Sudeste: A Igreja Metodista foi crescendo no Rio Grande do Sul, em São Paulo, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.

• No Norte e Nordeste: No Norte do Brasil, o Rev. Justus Henry Nelson trabalhou por muitos anos fundando igrejas no Amazonas e no Pará. No nosso hinário evangélico, temos muitos hinos do Rev. Justus H. Nelson (veja os hinos 82, 121, 130, 265, 286, 295, 388, 453, 457). Também o Rev. Willian Taylor trabalhou no Nordeste, fundando igrejas no Pará, Maranhão e Bahia. Uma coisa muito triste foi a falta de apoio das juntas de missões para o trabalho metodista no Norte e Nordeste do Brasil. Os missionários do Sul e Sudeste do Brasil também não se interessavam pelo trabalho missionário por causa da distância desta região de São Paulo e Rio de Janeiro. O Rev. Justus H. Nelson morreu em Belém do Pará, onde está sepultado. O Metodismo cresceu bastante no Sudeste do Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo), que até hoje são as maiores regiões da Igreja Metodista no Brasil. Durante o período em que esteve no Brasil, o Rev. John James Ransom fundou um jornal chamado “O Metodista Católico” (1886) que no ano seguinte mudou de nome, passando a se chamar ” Expositor Cristão ” . Este nome existe até hoje, é o nosso jornal Metodista.

A autonomia da Igreja

Como a Igreja cresceu, era necessário que se tornasse independente dos Estados Unidos. Após muita discussão, a Igreja Metodista tornou-se independente em 2 de setembro de 1930, em São Paulo. Elegeu-se o primeiro bispo da Igreja, chamado Willian Tarboux, que era americano. O primeiro bispo metodista brasileiro chamava-se César Dacorso Filho, eleito em 1938.

Para que uma Igreja fosse autônoma ela deveria possuir 3 requisitos:

• Auto-sustento (condições financeiras).

• Ministério próprio (pastores brasileiros).

• Auto-propagação (condições de crescer sozinha).

As Regiões Eclesiásticas

Com o crescimento da Igreja em alguns territórios do Brasil, as igrejas foram se organizando em Regiões Eclesiásticas. Cada um de nós é membro de uma Região da Igreja. No começo existiam apenas as regiões do Centro, Norte e Sul do Brasil. Mais tarde a Igreja ficou assim organizada:

•  1ª Região:  Rio de Janeiro

• 2ª Região:  Rio Grande do Sul

•  3ª Região:  São Paulo capital (e Região Leste do Estado)

• 4ª Região:  Minas Gerais e Espírito Santo

•  5ª Região: Interior de São Paulo, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Triângulo Mineiro, Sul e Brasília

• 6ª Região: Paraná e Santa Catarina

 Região Missionária do Nordeste:  Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Sergipe e Rio Grande do Norte

 Campos Missionários da Amazônia: Acre, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima

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CÂNONES

Download – Cânones 2012 a 2016

O METODISMO NOS ESTADOS UNIDOS
JWesley

A primeira “Sociedade” metodista surgiu, em Londres, em fins de 1739 – vinte anos depois já se implantava no Novo Mundo. Em 1760, Natanael Gilbert, convertido por John Wesley, na Inglaterra, ao voltar para Antígua, no Caribe, começou a compartilhar as boas-novas com a população escrava. O mesmo impulso de missão espontânea fez o Metodismo em Virgínia e Maryland, construiu rudes capelas de pau roliço, itinerou diversas das “Três Colônias”, e até despertou vocações entre jovens norte-americanos!

Pouco depois, numa outra família de metodistas imigrantes da Irlanda, a Sra. Barbara Heck estaria pressionando seu primo e pregador metodista, Filipe Embury, a iniciar uma missão de proclamação em Nova Iorque. Bem mais para o norte, encontrava-se um jovem imigrante, Guilherme Black, engajado na pregação leiga na Terra Nova, hoje parte do Canadá. Sim, a conclusão é quase irresistível de que uma das qualidades do Metodismo nos primórdios era o seu impulso missionário, o qual o levaria, de modo próprio a muitas partes do mundo e, com tempo, faria do Metodismo um movimento verdadeiramente mundial. Só alguns anos depois dos começos mencionados é que, a pedido dos metodistas arrebanhados do Novo Mundo, Wesley e os metodistas ingleses enviaram obreiros à guisa de missionários.

O metodismo norte-americano se transforma em igreja:

A Igreja Episcopal

Wesley destacou alguns dos seus melhores pregadores como missionários na América. Embora tenha ele os mandado para todos os locais mencionados acima, vamos ficar agora só com o território que passaria a ser os Estados Unidos. Quando Wesley começou a enviar obreiros para as colônias inglesas na América, já estava bem adiantado o movimento de independência e, a partir de 1775, o movimento já tomava a forma de uma Guerra de Independência. Nos oito anos de guerra, todos os missionários que Wesley havia enviado voltaram, menos um, Francis Asbury.

Asbury, que nunca mais voltou para sua Inglaterra nativa, tornou-se um dos principais líderes surgido durante os anos do conflito. Um fato curioso é que John Wesley, um inglês, não apoiara o movimento de independência, o que gerava suspeitas que os metodistas das colônias também não apoiavam-no – o que não era verdade. Apesar dessa dificuldade e desassossego causado pela guerra, o número de metodistas aumentava rapidamente. Ao fim da guerra, já contavam com uns 15000 e mais de 80 pregadores. O próprio Wesley, que não aprovara a revolução, agora deu pleno apoio na nova situação; na realidade, ele preparou uma liturgia (baseado no Livro de Oração Comum, o qual ele considerava a melhor liturgia do mundo) e ainda um livro canônico (a Disciplina) e ordenou dois pregadores como presbíteros e o Dr. Tomás Coke como “superintendente” para os metodistas na América.

Isto é, tomou os passos para que os metodistas na América se tornassem Igreja. Ele tomou um outro passo nessa direção, chegando a nomear também Francis Asbury como superintendente (ou seja, Bispo). Asbury, porém, reconheceu o espírito da independência dos metodistas na América; daí ele só aceitou a liderança mediante eleição pelos pregadores, e não nomeação por Wesley. Por volta do Natal de 1784, os pregadores se reuniram e, sob a direção de Coke, fundaram a Igreja Metodista Episcopal (antes disso, o Metodismo era movimento, não Igreja); elegeram Asbury, ainda leigo, Diácono, Presbítero e Superintendente em três dias sucessivos, e, dos seus parcos recursos humanos e financeiros, estabeleceram uma faculdade, Cokesbury College (aproveitando os nomes de Coke e Asbury, os dois “superintendentes” ou bispos) e mandaram missionários para Antígua e Terra Nova, apesar do fato de só existirem pouco mais de 80 pregadores metodistas no país. Assim, nasceu a Igreja Metodista Episcopal, a menor denominação no continente norte-americano; meio século depois era destinada a ser a maior.

Algumas das razões para isto se seguem:

• A Igreja Metodista Episcopal descobre a “fronteira” : Devemos lembrar que os Estados Unidos, em 1784, eram, na realidade, uma pequena faixa de terra desde Geórgia (sul) até o Canadá (norte), ao longo da costa do Atlântico. Mas a população branca estava emigrando para o oeste em busca de novas terras. Por conquista militar, compra e diplomacia, os Estados Unidos passaram a ser um país de dimensões continentais em apenas 70 anos!

Certos fatores fizeram com que os metodistas pudessem acompanhar a marcha para o oeste mais eficientemente que qualquer outro grupo. Uma dessas razões, sem dúvida, é o seu vigor espiritual e um outro é a sua auto-imagem. Já em 1784, os pouco mais de 80 pregadores metodistas, reunidos na Capela de Lovely Lane, em Baltimore, haviam concluído que Deus os colocou na América para “reformar o continente e espalhar a santidade Bíblica por toda a parte”.

Também o tipo do ministério metodista era admiravelmente adaptado à fronteira. O pregador metodista era chamado de “circuit rider” , ou seja, “cavaleiro de circuito”, sendo que seu circuito (paróquia) poderia ter 30, 50 ou mais lugares regulares de pregação. Assim, um pregador ordenado, auxiliado por muitos leigos e leigas, atendia a uma grande área na fronteira, esparsamente povoada. E, finalmente, os metodistas aprenderam dos presbiterianos um tipo de evangelização muito apropriado à fronteira, o “camp meeting” , ou “reunião de acampamento”, na qual famílias vinham de consideráveis distâncias, de carroças, e acampavam durante uma semana ou mais, assistiam pregação pelo menos três vezes por dia e em que se realizavam conversões em grande número. Havia, muitas vezes, manifestações emocionais; estas espantaram os presbiterianos, mas Bispo Asbury via nos acampamentos “o tempo de safra” dos metodistas.

• O Metodismo americano e a escravidão: Hoje a condenação da escravidão é universal; no Brasil veio sua emancipação formal com a “Lei Áurea”, e instaurou-se uma luta sem trégua contra o mal mais sutil do racismo. Mas, outrora, poucas foram as vozes que se levantaram contra a instituição, praticada no mundo inteiro. Os primeiros escravos negros foram introduzidos em territórios, que mais tarde seriam os EUA, nos primórdios da colonização inglesa. Passou a ser ponto pacífico que a agricultura nas colônias dependia do escravo. O próprio Padre Antônio Vieira diria, no mesmo século: “Sem Angola, não há Brasil”. Os primeiros a questionarem o sistema foram os “amigos”: John Wesley também condenava a escravidão como uma “vilania execrável”. Ele não admitia, sob hipótese alguma, que um ser humano fosse dono de um outro; daí escreveu contra a escravidão e encorajava Wilberforce na sua luta no parlamento inglês contra o mal. Mas nas colônias americanas, quem laborava nas fazendas de arroz eram os negros e, apesar da Declaração da Independência (1776) afirmar como uma “verdade auto-evidente” que todos foram dotados pelo Criador do Direito da Liberdade, no novo país (EUA) a escravidão não foi abolida na época.

As poucas vozes de protesto ao sistema não foram suficientes para levantar a consciência da Igreja de modo geral, e, com o tremendo aumento da produção do algodão, criou-se um argumento tanto filosófico como a Bíblia que apresentava a escravidão não como um mal, senão como bem positivo. Foi só de 1830 em diante que o movimento de abolição começou a crescer; e nesta luta muitos metodistas participaram plenamente. Mas a tragédia foi que a Igreja como um todo não aderiu logo ao movimento. As grandes denominações chegaram até a se racharem, resultado em Igrejas “do Norte” e “do Sul”. Isto atingiu o Metodismo em 1844, nascendo a Igreja Metodista Episcopal do Sul. No Norte do país, freqüentemente os abolicionistas metodistas eram também seus melhores evangelistas; no Sul, infelizmente, a defesa da escravidão foi como um cunho, separando as coisas consideradas espirituais das seculares. Esta infeliz dicotomia iria influenciar o pensamento e a ação das missões destas Igrejas no Brasil (Metodistas, Presbiterianas, Batistas). Aliás, parte do desafio para o Metodismo hoje é reapropriar a visão e a práxis de Wesley.

• Metodismo e a educação: A Escola Dominical nasce da educação popular organizada por Roberto Raikes, em 1780. Wesley apoiou enquanto muitos questionavam o uso do domingo para ensinar crianças a ler e escrever. Francis Asbury fundou uma das primeiras Escolas Dominicais nos Estados Unidos. Já vimos como, na “Conferência de Natal”, a Igreja Metodista Episcopal fundou o Cokesbury College que, entanto, foi de curta duração. A partir de 1820, quando o Concílio Geral permitiu a nomeação de itinerantes metodistas como reitores de instituições de ensino, o Metodismo começou a contribuir significativamente para a educação superior do país. Demoramos em organizar seminários teológicos por causa do nosso conceito de vocação e métodos de treinamento, a saber: o sistema de aprendiz, pelo qual um jovem pregador aprendia o ofício acompanhando um mais experiente no seu trabalho, e abundantes leituras. Brevemente, porém, o Metodismo, ao lado de outras denominações, povoaria os EUA de escolas de todos os níveis, inclusive o universitário. A escola passaria a ser uma das mais evidentes contribuições às missões que fundava em todos do continentes.

• O Metodismo e as missões: A era de missões protestantes modernas foi inaugurada por William Carey, batista, no final do Século XVIII. Já vimos a ênfase missionária no Metodismo Wesleyano. Apenas em esboço, vejamos como o metodismo na América do Norte seguiu esta tendência:

  • A evangelização da fronteira;

  • A evangelização de indígenas, a partir de 1820;

  • A evangelização de escravos negros, desde a mesma época;

  • Missões no além-mar, a partir da missão em Libéria, fundada em 1832.

O METODISMO NA INGLATERRA
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A primeira coisa a estabelecer é que o Metodismo faz parte integrante do movimento Protestante. Herdeiro da Reforma, mediante a Igreja da Inglaterra, cujos 39 Artigos formam a base dos Artigos de Religião do Metodismo e cuja liturgia (O Livro de Oração Comum) exerceu grande influência na liturgia metodista, o Metodismo  aceitou  as  três colunas principais da Reforma: A autoridade das Escrituras, a Justificação pela Fé e o Sacerdócio Universal dos crentes (que também podemos simbolizar pelos “3 Ps”, ou seja, palavra, perdão e povo).

Cinco chaves para compreender a herança metodista 

1. A experiência do dia 24 de maio de 1738: A famosa experiência de John Wesley numa reunião à Rua Aldersgate, em Londres, a exemplo de Martinho Lutero, na torre de Wittenberg, marcou o clímax de uma longa busca de um relacionamento satisfatório com Deus em Cristo. Qual é o sentido desse evento? Pela descrição do próprio Wesley, os metodistas têm, tradicionalmente, enfatizado o “coração aquecido”. E certamente a emoção faz parte da experiência; afinal, o ser humano não é só cérebro, mas os sentimentos e emoções lhe são molas de ação. Mas uma das coisas mais importantes da descrição do próprio Wesley sobre “Aldersgate” é que houve uma íntima ligação entre a experiência religiosa e a sua doutrina. Uma outra maneira de dizer a mesma coisa, seria dizer que a compreensão doutrinária de Wesley (muito embora profundamente fundamentada na Palavra de Deus) surgiu de sua experiência. Teologia, para ele, não é algo distante, especulativo, divorciado da vida; pelo contrário, ela nasce da vida religiosa, ou seja, da experiência da salvação. Por isso vale a pena estudarmos o registro de Wesley sobre o que aconteceu no dia 24 de maio. Podemos fazer isso em poucas linhas, mas cada uma poderia fornecer matéria para uma boa discussão.

  • A experiência de Wesley nasceu da Palavra de Deus: alguém lia o prefácio de Lutero à Epístola aos Romanos. Foi no momento em que Wesley ouviu da “mudança que Deus opera no coração pela fé em Cristo” que ele experimentou a fé! Confirmou o que Paulo dissera que “a fé é pelo ouvir e o ouvir pela palavra de Deus” (Romanos 10.17).

  • A experiência foi fundamentalmente do dom da fé, mas Wesley aprendeu, com Lutero, no que consiste a verdadeira fé: é confiança (não crença) – “Senti que confiava em Cristo, Cristo tão somente para minha salvação…”. Fé, então, é confiar a vida nas mãos de Cristo, estabelecer aquele relacionamento pelo qual Cristo se torna Senhor e Salvador pessoal.

  • Com o ato de confiar sua vida a Cristo, estabelecendo um novo relacionamento, Wesley foi perdoado, ou seja, percebeu que Cristo havia tirado seus pecados – não era apenas o cordeiro de Deus, que tira pecado do mundo, mas o Salvador que tirava os pecados do próprio Wesley.

  • Daquilo que Cristo lhe fizera, o Espírito Santo testificou, pois no mesmo momento “uma segurança” lhe foi dada de que Cristo havia tirado seus pecados e o havia salvado “da lei do pecado e da morte”.

  • Só? Não, há mais! Wesley diz que começou a orar pelos inimigos e perseguidores! Sem mencionar o Novo Nascimento, Wesley demonstrava nesta nova capacidade de perdoar que Deus não havia apenas lhe perdoado, mas também transformado o seu íntimo. Como os metodistas cantam: “Tu não somente perdoas, purificas também, ó Jesus”. Concluímos, então, que uma das principais características do metodismo wesleyano era, ao invés de teologia especulativa, uma íntima conexão entre a doutrina e a experiência .

2. A evangelização: Devemos lembrar que não foi apenas John Wesley que teve uma experiência religiosa transformadora em maio de 1738; Charles, seu irmão, também, no domingo anterior, recebera o dom da fé. Charles traduziu sua experiência, que ocorrera no Domingo de Pentecostes, num hino que lembra as línguas de fogo do primeiro Pentecostes: “Mil línguas eu quisera ter”. Em certo sentido, enquanto John viajava por toda parte, proclamando as boas novas de vida nova em Cristo Jesus por meio da pregação, Charles, com 6500 hinos de sua autoria, também evangelizava.

Há certas características da evangelização wesleyana que deviam ser notadas: primeiro, o Século XVIII presenciou o nascimento de uma nova classe social, a dos operários. Os primeiros representantes dessa nova classe eram mineiros. Oprimidos pelas longas horas de trabalho árduo e baixo salário, os mineiros não eram levados em conta pela igreja oficial, e poucos deles procuravam a mesma. Foi aos mineiros de Kingswood e Bristol que os metodistas foram primeiro para lhes oferecer vida em Cristo! Mais tarde, com o crescimento das fábricas, os operários e operárias seriam objeto da mensagem metodista e fariam parte integrante da sociedade e partes metodistas. Muito antes de a Igreja Anglicana tomar consciência da própria existência dessa nova classe, os metodistas já lhes ministravam.

A segunda coisa a notar é que havia necessidade de descobrirem-se novos métodos e agências para atender a essa nova situação, e a pregação ao ar livre provou ser o meio para atingir essa nova classe. George Whitefield e Wesley pregavam aos mineiros ao saírem das minas. Nas praças de Londres, Bristol e Newcastle, os metodistas ofereciam Cristo ao público atônito com essa inovação! Mais se a pregação ao ar livre provou ser o instrumento, os agentes, muito mais do que ministros ordenados, passaram a ser os pregadores leigos (pregadores sem formação teológica). Desde a pregação do jovem Tomas Maxfield, que trabalhava com Wesley como “filho no Evangelho” no seu centro em Londres e que Suzana Wesley considerava tão vocacionado como seu próprio filho John, pessoas com graça (experiência pessoal de fé), dons (capacidade para proclamar claramente as boas novas) e frutos (resultados positivos da sua pregação em termos de despertamento e conversão) e que se dispunham a trabalhar nos lugares onde Wesley indicava, mais que se comprometiam a ler pelo menos 6 horas por dia, militavam como profetas (proclamadores) sob a orientação de Wesley.

A terceira coisa a ser notada nesta evangelização metodista é sua estreita ligação com o serviço ao povo e ação social. Talvez baste lembrarmos que a última carta que o velho Wesley escreveu foi endereçada a William Wilberforce, encorajando na sua luta no parlamento inglês contra escravidão.

3. O povo: Wesley nunca teve a intenção que o metodismo passasse a ser uma nova igreja: ele pretendia que fosse um movimento em sua amada igreja anglicana (da qual nunca saiu) para seu despertamento e capacitação para o exercício da missão de Deus. A preocupação de John Wesley era o POVO. Ele dizia que seus seguidores eram “o povo chamado metodista”. Já vimos acima que, deste povo, Wesley conseguiu seus pregadores e pregadoras – pois Wesley permitia que mulheres, como Mary Bosanquet, pregassem. Assim Wesley descobriu um modo fácil de expressar a doutrina de Lutero, o “Sacerdócio Universal do Crente”.

Mas a ênfase do povo não pára com a pregação de leigos, por mais importante que fosse: o Metodismo via sua missão como uma realizada pelo povo e em prol do povo. É por isso que nos principais centros do metodismo wesleyano surgiram escolas, orfanatos, ambulatórios, fundos de empréstimo, centro de artesanato etc.. Foi por isso que Wesley e os metodistas lutavam contra a escravidão que degradava e explorava o povo africano. Foi para poder servir o povo que o próprio Wesley procurava ganhar todo dinheiro possível e economizar o máximo – não para ficar rico, mas para ter recursos para “dar tudo que for possível”. Por isso, já nos seus dias de professor em Oxford, ele havia economizado dinheiro que normalmente teria gastado com carvão para sua lareira. Ele agüentava o frio dos invernos ingleses para ter dinheiro para pagar uma professora de uma classe de moleques pobres da cidade de Oxford.

4. Ênfase na santificação/perfeição cristã: Para Wesley, a santificação é um processo de crescimento em graça que começa no momento que, pela fé, Deus perdoa o pecador arrependido e inicia o processo da sua transformação íntima. A perfeição é um dom de Deus, pelo qual aperfeiçoa sua obra no crente, enchendo-o de amor para com Deus e o próximo. A chave para entendermos a perfeição é o AMOR. Wesley tinha muitos sinônimos para a perfeição, sinônimos esses que não inventou, mas achou na Palavra de Deus. Perfeição é pureza de coração, é imitação de Cristo, é comunhão ininterrupta com Deus e com seus propósitos, mas mais do que qualquer outra coisa, é o Amor. O estudo do livro aos Hebreus o convenceu da absoluta necessidade de santidade na vida do discípulo de Jesus.

Para John Wesley, a primeira epístola de João é o melhor comentário sobre a perfeição cristã. Nesta epístola, a ligação entre o amor e a vida cristã é patente: “aquele que diz que está na luz mas odeia seu irmão ainda está nas trevas até agora” (1 João 2.9). O mesmo autor adverte: “filhinhos, não amemos de palavras nem de língua mas por ações e em verdade” (1 João 3.18), o que muito nos lembra de Tiago que questiona a fé daquele que nada faz em prol do irmão sem roupa nem alimento (Tiago 2.14-15).

5. A ênfase missionária do Metodismo Wesleyano: Os metodistas definiram sua razão de existência em termos de “Reformar a nação, particularmente a igreja, e espalhar Santidade Bíblica em toda nação”. Acabamos de ver de como serviam impulsionados a levar as boas novas aos operários e aos pobres, geralmente negligenciados pela igreja oficial. Mas havia também algo dentro do Metodismo que o fez vencer as barreiras dos mares, pois logo ele é levado espontaneamente, para a Irlanda, Escócia, as Ilhas do Canal, para o continente europeu e para o Novo Mundo – para Antígua, no Caribe, para as Colônias que viriam a ser os EUA, para Terra Nova, parte do atual Canadá. Aliás, uma igreja que não é missionária é ou morta ou moribunda.

A ORIGEM DO METODISMO
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O movimento metodista teve seu início há quase três séculos, na Inglaterra. Era uma época em que a sociedade inglesa passava por rápidas transformações. Milhares de pessoas saíam da zona rural, que era controlada por grandes proprietários, para procurar trabalho nas novas indústrias das cidades. Era uma época em que o povo vivia na miséria, trabalhando longas horas e só ganhando o mínimo necessário para sua sobrevivência.

As pessoas moravam em cortiços, sem as mínimas condições e, quando ficavam doentes, não tinham acesso a médicos. As crianças não iam à escola porque, em geral, trabalhavam para ajudar seus pais. Havia grande número de viciados, especialmente de alcoólatras. A Igreja Anglicana era a igreja principal da época, mas não se preocupava com o sofrimento do povo e estava acomodada na prática de cultos alienados. Havia outras pequenas igrejas e grupos religiosos promovendo a renovação, mas quase todas se mantinham na piedade individual, sem qualquer compromisso com a sociedade. As igrejas tentavam salvar o indivíduo sem, entretanto, lutar por uma sociedade mais justa.

Neste contexto, de sofrimento do povo e de igrejas alienadas, um jovem sacerdote chamado John Wesley teve sua vida radicalmente mudada através de uma experiência religiosa em 24 de maio de 1738. Sentindo-se amado por Deus e, desafiado a criar um movimento para renovar a Igreja Anglicana, ajudou as pessoas a conhecerem o amor de Deus e a trabalharem por um mundo melhor. Através de pequenos grupos, Wesley organizou milhares de pessoas em equipes, procurando ser fiel a Deus através de uma vida santificada.

John Wesley sentia que ser apenas convertido não era suficiente. Para ser cristão verdadeiro, a pessoa precisava ter fé em Cristo, sentir o amor de Deus e pôr em prática essa fé. Por isso, desde o início, os metodistas, além de evangelizar, visitavam os presos, criavam escolas e desenvolviam obras sociais. Ser metodista significava refletir o amor de Cristo em todas as dimensões da vida. O povo metodista do passado não limitava sua prática da fé com crenças, ou com projetos assistencialistas, mas também lutando contra a escravidão. Wesley entendia que tanto Satanás como o pecado viviam no coração das pessoas e também nas estruturas sociais. Assim, a unidade da conversão individual e a transformação da sociedade sempre foram características da Igreja Metodista.

Para Wesley não era correto, tampouco bíblico, criar uma nova Igreja. Na sua visão, a divisão da família cristã não pertencia ao projeto de Deus. Por isso, o movimento metodista sempre teve um grande interesse na unidade cristã. A Igreja Metodista começou como um movimento de renovação, sem qualquer pretensão de criar uma nova igreja. Somente depois da morte de John Wesley é que surgiu a Igreja Metodista, quando já não havia mais possibilidade de continuar dentro da Igreja Anglicana.